Sobre a Semco eu já falei aqui, e sobre lean na educação também aqui. Agora, mais uma vez me cai às mãos um post sobre a escola Lumiar (que eu já conhecia) neste excelelente blog que é o Blog da formação e que eu não posso deixar de comentar. Ele traz um trecho (disponível aqui) do livro do Ricardo Semler, “Você Está Louco!” e que queria enfatizar um ponto:
O tutor alinhavaria com a criança e seus pais um contrato trimestral, onde alinhariam o parâmetro de conteúdos do MEC, o momento da criança e a expectativa dos pais. No final do trimestre, fariam uma avaliação de 360 graus, onde a criança avaliaria a escola, o educador, os mestres e mesmo os pais enquanto educadores, e os pais fariam o mesmo. E, claro, o tutor também mediria o aprendizado e a contribuição dos pais. Dessa rica discussão nasceria o contrato do trimestre seguinte. E assim por diante, dos dois (contribuição menor, mas importante da criança), até a criança estar pronta para sair pela vida, emancipada em todos os sentidos.
Seria isso um princípio pull-system (JIT)? Imagino como seria se o processo fosse estruturado usando Kanban, que é muito mais sobre criar uma economia do trabalho do que apenas sinalizar (como o nome indica). Essa economia que é criada pela restrição do trabalho em progresso server para medir a produtividade e otimizar a produção usando técnicas como por exemplo TOC. Um dos principais conceitos do TOC é o Drum-Buffer-Rope, que entre outras coisas subordina todo o sistema ao passo do gargalo. Considerando o processo educacional, quem define o ritmo do passo é o aprendiz e portanto a economia do processo deveria estar subordinada a ele, o que nem sempre é verdade num sistema de séries e reprovações. Com uma indicação clara do crescimento do aluno, um acompanhamento real e comprometido, o formato de compartimentalização da educação em séries começa a perder o sentido…
Outra coisa que me vêm a mente é a possibilidade de um planejamento e acompanhamento dessa aprendizagem de forma que o aluno gradualmente vá adquirindo a autonomia sobre esse processo. Dominar o seu potencial “aprendente” é importante num mundo onde 87% do que você vai precisar na vida profissional vêm do aprendizado informal. Por isso ultimamente eu venho pensando em uma coisa chamada Plano de Aprendizagem em que o aluno define objetivos, metas e traça ações para alcançar sua própria formação. E não me surpreenderia se eu achasse isso já implementado ou definido em algum lugar do mundo (o mundo é grande), porque há pouco tempo eu bolei o que seria a minha universidade ideal do zero e descobri que ela já existe há pelo menos 40 anos… e isso será o assunto dos próximos posts.