No último post falei sobre a utilização de SCRUM em um curso superior de artes para organização e acompanhamento da aprendizagem. No final dele, perguntei se alguém tinha alguma idéia de como usar ferramentas lean na escola. Pois bem, qual não foi a minha felicidade em ler esse post sobre a utilização de lean em salas de aula do jardim da infância (principalmente kanban). Isso mesmo, jardim da infância. Do artigo citado no post (desculpe o grau de indireção):
“It makes them more aware of their part in the process,” she said, after conducting an exercise in which her pupils expertly analyzed a scatterplot of their reading test scores. “For the kids, they are really critically thinking about themselves as learners. If we can get them to do this now, just imagine what they’ll be able to do in the future.” (Link e grifos meus)
E se você achou isso uma loucura, veja como esse pai decidiu criar seus filhos também utilizando práticas lean. A idéia central por trás dessas iniciativas é a educação da criança fundamentada nos dois pilares do gerenciamento lean: eliminação de desperdício e respeito pelas pessoas. Isso faz todo o sentido em uma fábrica, mas e em uma escola, ou na vida de seu filho? Faz todo o sentido também! Tome o exemplo dos estados do ego, por exemplo, a psicoterapia diz que existem diversos “eus” que competem entre si, cada um com objetivos diferentes, inclusive conflitantes. Se a pessoa não aprende a integrar essas diferentes correntes dentro de si mesmo pode acabar tendo a sensação de que sua vida é uma sucessão de desperdícios, já que nenhum dos objetivo é de fato alcançado. Pareceu familiar?
A eliminação de desperdícios começa com a definição dos objetivos (definido, mas não definitivo), seguido de planejamento, ação, verificação e aprendizado. O velho PDCA de Deming & Cia. E é no aprendizado que se dá o crescimento e a eventual redefinição de objetivos. Afinal de contas, como disse Paulo Freire, a aprendizagem é a experiência fundante do ser humano. E o que será envolver seus filhos e alunos na tarefa da aprendizagem, sua e das dos outros, como sujeitos ativos e conscientes, senão um ato de respeito profundo por eles? Um ato de amor? Que essas crianças cresçam mais críticas, mais autônomas, mais integradas em si, mais humanas! Quero viver para ver o futuro, mas enquanto isso, e nós? O que podemos fazer por nós e os nossos?