O que estamos vendo no mundo de TI nos últimos 5 anos é uma busca por agilidade. OK, isso já vem de mais longe, mas aqui consideraremos o manifesto ágil como ponto de partida dessa história. O movimento ágil, como podemos chamá-lo, veio dando abertura para muitas novas idéias e uma delas, na área de engenharia de software, é um “jeito” de fazer software chamado: eXtreme Programming (ou XP).
Novas idéias sempre encontram resistência por parte de nós, seres humanos. Seja porque as antigas sustentam nossos interesses mesquinhos, seja porque o nosso orgulho nos impede de reconhecer que estávamos errados ou talvez porque a nova idéia simplesmente parece estúpida demais, o que também acontece bastante. Mas não cabe a esse post discutir razões.
Eu também ainda não conheci quem tenha estudado a “teoria” por trás dos movimentos ágeis na indústria de desenvolvimento de software e tenha falado mal dela. Geralmente são os que menos conhecem que mais desmerecem o movimento. Mas também não é o propósito desse post discutir a superioridade dessa ou daquela “teoria” ou “metodologia”.
O objetivo desse post é discutir um dos bordões que mais escuto, e que é usado pelos céticos do XP quando querem criticar sua validade, que diz “XP não funciona para grandes equipes ou projetos médios ou grandes, por que no XP você não tem controle“. Aqui eu não quero nem discutir se o XP funciona ou não para os casos acima, mas sim a peculiar alegação de que “no XP você não tem controle“.
Só essa questão abre precedentes para diversas discussões sobre: Não tem controle sobre o que? O que você quer dizer sobre controle? Será que se por controle os céticos do XP querem se referir a mandar e ser obedecido? Será que a ter controle, referem-se a ter controle sobre a equipe? sobre as tarefas? sobre os clientes? sobre a gerência superior? sobre o ambiente? sobre o destino, o tempo e tudo o mais?
Já o coitado rei da famosa fábula de Saint Exupéry, le petit prince, acreditava governar sobre tudo e todos. Acreditando serem, as suas ordens, razoáveis, ordenava a todas as coisas que fizessem justamente o que naturalmente fariam. Julgando assim, ser sempre obedecido.
Mas não pretendo me prolongar em nenhuma discussão sobre controle, mas sim analisar o XP na visão de uma das formas mais conceituadas de gerenciamento: o PMBOK. Também nem é meu intuito analisar se gerenciamento demanda controle, ou qualquer coisa do tipo. Mas acredito que discutindo a condução de projetos XP sob a luz das atualmente mais conceituadas técnicas e formas de gerenciamento, poderemos chegar a uma resolução sobre a validade da alegação “no XP você não tem controle”.
Meu palpite é de que no XP você realmente não tem controle. Mas, como veremos nos próximos posts dessa categoria, para realizar projetos com sucesso, ter controle, talvez, não tenha a menor importância.
Até a próxima.
[...] isso tudo começou com o meu post inicial sobre “ter controle” no gerenciamento (em que falo do rei do pequeno príncipe [...]