No Centro de Informática (CIn) da Universidade Federal de Pernambuco existe uma disciplina de Empreendedorismo. Disciplina essa que estou cursando atualmente. Faltam esse e outro semestre para eu concluir meu curso em Ciência da Computação e por isso estou ansioso pra me formar logo. Por isso também não tive muitos critérios para a escolha das disciplinas desse período, o que importa é completar logo as horas que faltam para mim (na verdade, o fato é que no CIn não há muitas disciplinas eletivas interessantes não).
Empreendedorismo é uma disciplina de 72 horas, ou seja, duas aulas de duas horas por semana, ministrada pelo professor Fábio Queda, daqui do centro. Pelo que pude entender, o objetivo da disciplina seria entender o que é empreender, entender o que é necessário e relevante para empreender e incentivar a cultura empreendedora nas jovens cabeças dos 20 alunos que estão pagando a cadeira nesse período. O produto final do esforço de seis meses será o que se chama Plano de Negócios. Nesse plano, o aluno (ou um grupo deles) demonstrará o aprendizado adquirido.
Lá estava eu com a necessidade de bolar uma idéia que aproveite uma oportunidade e possa se transformar em um empreendimento. Lucrativo, de preferência. Minha melhor idéia era uma no ramo do asseio pessoal – papel higiênico – que é genial, penso eu, qualquer dia eu falo sobre ela, mas era impositivo da disciplina que o empreendimento fosse na área de TI.
O pior é que eu tinha gostado do desafio. Durante as aulas, o que se vê é discussão sobre comportamento pessoal, pré-conceitos, valores e suas relações com oportunidades, mercado e capital. Descobri, depois, que o que eu achava que ia ver em empreendedorismo na verdade é mais da área de administração de empresas. Como vim a perceber depois, empreender é muito mais sobre postura pessoal em relação à vida do que cálculo, estimativas e procedimentos. Depois eu volto a falar sobre isso.
Por enquanto eu tava procurando o que se chama de Visões Emergentes do negócio. Para isso era necessário reconhecer necessidades, visualizar oportunidades, ter idéias. Ok, ter idéias eu até podia ter, mas como eu poderia ver necessidades e oportunidades do mercado? Eu nem leio jornal! Como sempre, o Google recebe como uma mãe generosa as nossas ânsias do saber. Coloquei na barrinha branco do buscador, “business” “IT”.
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Logo no terceiro link achei uma notícia sobre o Flock, conhecem? Estou usando ele para editar esse blog neste exato momento. Bem, a notícia estava bastante entusiasmada a respeito de um novo browser que prometia estar disponível em breve, entre outras coisas um frase ficou marcada para mim nesta notícia. Era a que dizia que a maneira atual de navegar pela internet estava ultrapassada. |
A internet deixou de ser um repositório hierárquico de páginas, para ser um ambiente vivo de colaboração, social networking, coisas do tipo. Em outras notícia eu lia o que já sabia: blogs, flogs, bookmarks, news, tudo era compartilhado na internet e as coisas cresciam em escalas absurdas. Todas essas coisas dando suporte a sindicância automática, quê? RSS feeds? Peraí, na notícia do Flock tinha outra frase lá que passei a notar: “.. it has suport for so called RSS feeds”. Que diabos é RSS feeds?
Primeira lição, se você está sempre informado do que acontece na sua área de atuação, principalmente se você pretende empreender, parabéns! Eu não estou, ou pelo menos não estava (estou tentando mudar isso). Inevitavelmente tive que ir atrás de informações sobre RSS feeds e o que poderia agregar valor a um web browser. Descobri, por exemplo, que o Firefox, que eu sempre uso, dá suporte a feeds, para você ver como eu ignorava tudo isso, ainda. Após alguma pesquisa inicial saí com uma idéia de que frazer um web browser revolucionário era o futuro. E realmente é, mas não para mim. Vocês já deram uma olhada em como vai ser o novo IE? Vale a pena dar uma olhada.
Descobri justamente em um blog de um CEO de uma empresa de suporte a pesquisa na web, que o negócio é não brigar onde não há igualdade de ação. Hoje em dia, competir com softwares da Microsoft com um produto que rode no Windows é suicídio a longo prazo, é só pra quem pode (será que o Google Talk pega?). Para quem não pode a gente tem que buscar oportunidade nos mercados onde a liderança não tem mecanismos de se defender além da justa competição (no caso da Microsoft, se ela tem o SO, então ela tem uma vantagem além do próprio produto, o Netscape sentiu isso na pele quando o IE passou a vir junto com o Windows de grátis).
O negócio é mobile! PocketPC é maioria do mercado? Windows CE possui tanta força nos dispositivos móveis quanto o Windows XP tem no desktop, por exemplo?
Bem, eu não podia responder essas perguntas, mas estava gostando do que estava acontecendo. Geralmente o mundo é bem maior do que a gente acha que é importante. Pode parecer besteira, mas é importante quando a nossa ignorância fica evidente. Isso me fez repensar, por exemplo, a forma como eu conduzia a minha vida. Se dedicar ao que é importante, como por exemplo entender o mundo ao nosso redor, é crucial se quisermos fazer algo que preste em algum momento antes de morrermos.
| Curiosamente, uma semana após o início das minhas pesquisas (onde descobri, por exemplo, que cheguei um ano atrasado antes em uma grande idéia) um outro professor meu, por motivos outros, me emprestou um livro chamado O Segredo de Luísa, do professor Fernando Dolabella, um nome grande na área de empreendedorismo. |
Nele eu encontrei a base do que eu começava a perceber e direção para os meus passos seguintes. Foi dele que veio uma segunda lição, um empreendedor deve compartilhar o que pensa; feedback de outras pessoas é extremamente importante para que ele possa não só verificar se suas idéias têm sentido como construir e melhorar o seu conceito de si.
Daí a idéia de fazer um blog. Decidi fazer um blog sobre as minhas atividades nessa disciplina pelos seguintes motivos:
- Ter marcos fixos de resultados, se eu me disciplinar a escrever toda semana, eu terei que pesquisar e crescer para ter assunto toda semana.
- Poder receber feedback de outras pessoas sobre o sentido das minhas idéias.
- Poder compartilhar e ter a chance de incentivar a cultura empreendedora em outras cabeças.
Não poderia dizer no blog que o meu caso seria um caso de sucesso, por que ainda não o é, é um processo que estaria ocorrendo no decorrer dos posts. Eu também não poderia inventar uma história de como empreender com sucesso porque eu não tenho esse conhecimento. Só disponho, portanto, da minha experiência pessoal e isso posso oferecer. Sentei na quinta-feira e escrevi o que seria o meu primeiro post já pensando nas coisas que eu tenho que fazer até o próximo. Uma amiga minha me ajudou a ter confiança de colocar esse texto no ar, se vocês estiverem lendo e gostarem, agradeçam a ela. Finalmente eu termino a primeira mensagem explicando porque vou pô-la na web. Me despeço dos leitores com um “Até mais”, fecho as coisas e vou pra casa.
Até mais
Posso falar de matemática?
Essa parte do texto me fez pensar muito em minha área, pois que é assim que ela funciona atualmente, um matemático preso em suas idéias e sentimentos não progride tanto quanto outro que dá valor a troca de idéias (a comunicação em si), ele precisa sempre estar apto a evoluir suas idéias, torna-las cada vez mais claras e precisas, além de engenhosas e úteis, e o mundo não oferece nada mais estimulante que uma simples conversa para isso… Se no fim de suas pesquisas, Andrew Wiles não procurasse a ajuda de seus amigos de acadêmia, talvez ele nunca tivesse concluído a prova do Último Teorema de Fermat.
Ah sim, aqui está a parte do texto.
“Nele eu encontrei a base do que eu começava a perceber e direção para os meus passos seguintes. Foi dele que veio uma segunda lição, um empreendedor deve compartilhar o que pensa; feedback de outras pessoas é extremamente importante para que ele possa não só verificar se suas idéias têm sentido como construir e melhorar o seu conceito de si.”
Saber empreender sem saber se comunicar é um século de boas idéias perdidas, creio.
Brow, esse ano no cefet, no primeiro módulo, eu paguei a cadeira de empreendedorismo, embora não tenha tido a sorte de ler o livro, que por sinal, meu professor também recomendou. Como você, eu tinha uma idéia mais administrativa da cadeira, e ao longo das aulas (discussões seria um termo melhor aplicado aqui), fui percebendo que empreender era mais uma questão da postura individual do empreendedor que de criação e administração de uma idéia, usando as chamadas virtudes empreendedores, que provavelmente já foram comentadas nas suas aulas.
Em suma: ótima idéia e bola pra frente!
Dito isto, espero poder comentar as suas idéias e tentar colaborar para um aprendizado conjunto, um double feedback ;D.
Sobre o IE7…
Vc viu que é possivel rodar o “Beta” em StandAlone?
http://www.microsoft.com/windows/IE/ie7/default.mspx
E se vc está tomando contato com Feeds só agora, precisa tambem se aproximar do Bloglines. É o meu leitor de feeds já a mais de um ano.
http://www.bloglines/public/caparica/
[]’s
Eita…
Só pra deixar claro, não vejo o próximo IE como estas coisas todas. Ainda será um browser muuuuuuito inferior a um firefox ou a um opera.